As investigações revelaram que o então Diretor do presídio masculino teria se associado criminalmente a um detento e à esposa dele, formando um esquema de troca de favores.
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) oficializou a denúncia contra três envolvidos em um esquema de corrupção operado dentro do Presídio Masculino de Lages. Entre os denunciados estão o ex-diretor da unidade, um detento e a esposa dele. O grupo é acusado de associação criminosa, além de corrupção ativa e passiva, após a Operação Carne Fraca desarticular o pacto ilícito que trocava privilégios prisionais por itens de luxo.
De acordo com as investigações conduzidas pelo GAECO e pelo GEAC, a relação entre o então diretor e o casal extrapolava o âmbito institucional. Em troca de carnes nobres, uísques, vinhos e até serviços em uma boate, o gestor facilitava transferências entre unidades, reversão de sanções disciplinares, antecipação de remição de pena e intercedia indevidamente junto ao Judiciário em favor do preso.
A denúncia, que possui 53 páginas, enfatiza que o esquema era sustentado por um vínculo de confiança e reciprocidade. Para a Promotora de Justiça Bruna Amanda Ascher Razera, a conduta representa uma grave quebra de confiança nas instituições.
“Quando a autoridade encarregada de zelar pela legalidade passa a negociar privilégios à margem da lei, o que se rompe é a própria confiança da sociedade. Trata-se de uma corrosão silenciosa da função pública”, destacou a promotora.
O ex-diretor, já exonerado, permanece em prisão preventiva desde o final de fevereiro. O detento envolvido, que estava em livramento condicional, retornou à prisão nesta semana durante um desdobramento do Projeto Kratos, iniciativa do MPSC focada na captura de alvos de alta gravidade. A esposa do preso também responde por corrupção ativa.
O processo agora segue para a fase judicial, após o recebimento da denúncia pelo Poder Judiciário. Devido ao segredo de justiça, detalhes adicionais sobre as provas colhidas não foram divulgados.
