Defesa ainda pode recorrer da decisão de pronúncia antes da realização do julgamento.

A Justiça de Santa Catarina decidiu levar a júri popular o homem acusado pela morte da estudante de pós-graduação Catarina Kasten, de 31 anos, assassinada em novembro de 2025 na trilha da Praia do Matadeiro, no Sul da Ilha, em Florianópolis. A sentença de pronúncia reconheceu a existência de indícios suficientes para que o réu seja submetido ao Tribunal do Júri pelos crimes de feminicídio, estupro e ocultação de cadáver.

O acusado, Giovane Correa Mayer, de 21 anos, está preso preventivamente desde o dia do crime. Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Santa Catarina, ele teria atacado Catarina enquanto ela seguia para uma aula de natação na Praia do Matadeiro, em 21 de novembro de 2025.

De acordo com a acusação, o réu teria surpreendido a vítima na trilha, aplicado um golpe conhecido como “mata-leão”, arrastado Catarina para uma área de mata de difícil acesso e cometido estupro antes da morte por estrangulamento. O Ministério Público sustenta que houve intenção de matar e que o crime foi praticado por razões da condição do sexo feminino, elemento que caracteriza o feminicídio.

Laudos periciais apontaram asfixia por estrangulamento, possivelmente com uso de cordão ou cadarço. Imagens de câmeras de monitoramento também mostrariam o acusado escondido próximo à trilha momentos antes do ataque, segundo informações divulgadas durante a investigação.

A decisão de pronúncia não representa condenação definitiva. Nessa fase processual, o juiz analisa se existem provas da materialidade do crime e indícios suficientes de autoria para que o caso seja julgado pelo Conselho de Sentença, formado por jurados leigos. A defesa ainda pode apresentar recurso em sentido estrito contra a decisão.

O processo tramita sob sigilo judicial em razão da natureza sexual de parte das acusações. Em março deste ano, foram ouvidas sete testemunhas durante a fase de instrução criminal, além do interrogatório do réu.

A morte de Catarina Kasten provocou forte mobilização em Florianópolis, especialmente entre estudantes e professores ligados à Universidade Federal de Santa Catarina, onde ela estudava. Protestos, caminhadas e atos públicos cobraram mais segurança em trilhas e espaços públicos da capital catarinense.

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