Judge signing documents at desk with focus on gavel, representing law and justice.

Com alta de 13% nos recursos e crescimento de 7% nos julgamentos, TRT-SC manteve ritmo de expansão na demanda em 2025

O segundo grau do Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região registrou, pelo segundo ano consecutivo, recorde no número de processos recebidos. Em 2025, foram aproximadamente 42,9 mil ações distribuídas, com cerca de 39,9 mil julgamentos realizados ao longo do ano. Os números consolidam um cenário de alta demanda recursal na Justiça do Trabalho catarinense e reforçam a capacidade institucional do tribunal em manter produtividade elevada mesmo diante do crescimento contínuo dos conflitos.

À primeira vista, o dado autoriza uma leitura positiva. Julgar quase quarenta mil processos em segundo grau não é trivial em um sistema historicamente pressionado por escassez de recursos, complexidade procedimental e elevada carga humana e técnica. Há esforço, há entrega e há uma engrenagem que, apesar do peso, segue girando. Mas o Café prefere olhar o movimento do relógio, não apenas a velocidade dos ponteiros.

O crescimento reiterado do número de recursos não nasce do acaso. Ele revela uma relação de trabalho cada vez mais instável, litigiosa e desconfiada, em que empregado e empregador raramente enxergam a decisão de primeiro grau como ponto final do conflito. Recorrer deixou de ser exceção técnica e passou a ser comportamento quase automático. Não se recorre apenas por erro, mas por estratégia, por esperança estatística ou, muitas vezes, por puro adiamento.

Há também um dado estrutural incômodo: quando o segundo grau bate recordes sucessivos, isso indica que o conflito não está sendo pacificado na origem, seja por decisões que não convencem, seja por um sistema que precisa dar respostas jurídicas a problemas que são econômicos, sociais e culturais. O Judiciário, nesse contexto, atua mais como bombeiro do que como arquiteto institucional.

Outro paradoxo se impõe. Quanto mais eficiente o tribunal se mostra, mais processos chegam. A produtividade, embora essencial, não reduz a demanda quando o modelo de relações de trabalho continua produzindo fraturas em escala industrial. O recorde, portanto, não é apenas um troféu administrativo; é também um termômetro social.

O segundo grau da Justiça do Trabalho catarinense está funcionando, mas está funcionando sob tensão permanente. Ele absorve os efeitos de um mercado marcado por terceirizações frágeis, vínculos precários, disputas rescisórias recorrentes e insegurança jurídica crônica. Julga rápido, mas julga muito e julga muito porque a sociedade continua transferindo ao processo judicial aquilo que não consegue resolver na mesa, no contrato ou na política pública.

Café para pensar
Celebrar recordes é legítimo. Ignorar o que eles revelam, não. O aumento contínuo de processos no segundo grau do TRT-SC mostra um Judiciário resiliente, mas também expõe um sistema de trabalho que segue produzindo conflito em ritmo maior do que qualquer tribunal consegue absorver. A pergunta central já não é quantos processos foram julgados, mas por que tantos continuam chegando – e o que estamos falhando em resolver antes que o recurso vire regra.

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