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Em meio a metas, prazos, decisões e números que costumam definir o imaginário do Poder Judiciário, o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) propõe uma pausa incomum — e necessária. No próximo dia 28 de janeiro, a instituição promove a roda de conversa virtual “Muito além da dieta: (re)descobrindo o verdadeiro papel do alimento na vida humana”, iniciativa da Diretoria de Saúde e Qualidade de Vida (DSQV).

À primeira vista, pode parecer apenas uma ação de bem-estar corporativo. Mas, para o leitor atento, o evento dialoga com algo maior: uma mudança silenciosa na forma como o Judiciário catarinense compreende seu papel institucional — não apenas como máquina de julgar conflitos, mas como organismo humano, social e, sobretudo, vulnerável.

Alimentação como cultura, saúde e comportamento

O encontro será conduzido pela nutricionista Patrícia Fuchter, especialista em mudança de comportamento alimentar, e propõe ir além da lógica restritiva das dietas. A ideia é discutir hábitos, emoções, rotina e saúde integral, conectando alimentação, bem-estar físico e equilíbrio emocional.

“A ideia é tirar do papel as metas e resoluções de ano novo, estimular mudanças positivas de comportamento, com foco na alimentação saudável, na prática de atividade física e na valorização da saúde integral”, explica Juliane Cristina do Amaral, chefe da Divisão de Atenção à Saúde da DSQV.

A atividade é destinada a magistrados, servidores e colaboradores do Tribunal e será realizada às 14h, pela plataforma Teams, mediante inscrição prévia.

Uma instituição que começa a falar para dentro

O gesto ganha ainda mais sentido quando lido à luz da entrevista concedida pelo presidente do TJSC, Francisco Oliveira Neto, ao Café com o Careca, durante a temporada de imersão no sistema de Justiça catarinense.

Na conversa, o desembargador reconheceu que o papel do Judiciário já não se limita à função clássica de julgar processos. Segundo ele, a instituição passou a atuar também na prevenção de conflitos, no esclarecimento social e no cuidado com as pessoas que a integram.

“A função do Poder Judiciário há muito tempo deixou de ser apenas julgar conflitos. Hoje, também temos uma forte participação no esclarecimento da população e na forma de evitar esses conflitos”, afirmou.

Essa lógica — de um Judiciário que observa, aprende e se transforma — ajuda a entender por que temas como saúde mental, alimentação, vínculos sociais e qualidade de vida passaram a integrar a agenda institucional.

Do garantismo à prática cotidiana

Curiosamente, essa abordagem dialoga com a própria trajetória intelectual do presidente do Tribunal. Em sua tese de doutorado, Francisco Oliveira Neto trabalhou a ideia de estrita legalidade e garantismo, enfatizando os limites do poder estatal. Anos depois, à frente da presidência, ele reconhece que o exercício da magistratura também é atravessado pela experiência humana.

“O juiz que saiu não era igual ao juiz que entrou. Eu mudei meu perfil ao longo do tempo. Hoje, acredito muito mais no diálogo, na compreensão dos conflitos e na construção de soluções”, refletiu na entrevista.

Promover uma roda de conversa sobre alimentação dentro do Judiciário, nesse contexto, não é um detalhe menor. É sinal de que a instituição começa a olhar para dentro, reconhecendo que não há decisão justa sem pessoas minimamente saudáveis — física e emocionalmente.

Serviço

Data: 28 de janeiro de 2026
Horário: 14h
Formato: online (Teams)
Público-alvo: magistrados(as), servidores(as) e colaboradores(as) do TJSC
Inscrição: via formulário disponibilizado pela DSQV

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