Iniciativa reúne universidades e MPT para reduzir subnotificação e melhorar leitura de exames.

Um projeto desenvolvido em Santa Catarina pretende usar inteligência artificial para melhorar o diagnóstico de doenças pulmonares causadas por amianto e sílica, com foco na saúde do trabalhador e na redução da subnotificação desses casos.

A iniciativa foi discutida em um encontro realizado nos dias 22 e 23 de abril, em Florianópolis, reunindo pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina, da Universidade Estadual de Campinas, da Fundação Oswaldo Cruz e da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, com apoio do Ministério Público do Trabalho.

O sistema, ainda em desenvolvimento, busca auxiliar na leitura de exames radiológicos e tomografias conforme padrões da Organização Internacional do Trabalho. A proposta é identificar com maior precisão doenças relacionadas à exposição ocupacional, como asbestose e mesotelioma.

Segundo os pesquisadores, a tecnologia não substitui o médico. Ela atua como ferramenta de apoio, indicando padrões e sinalizando exames que exigem avaliação mais detalhada. “O sistema surge para enfrentar a subnotificação dessas doenças”, afirmou o coordenador do projeto, professor Alex Sandro Roschildt Pinto.

A subnotificação é um dos principais entraves na área. Muitas dessas doenças se manifestam décadas após a exposição ao amianto ou à sílica, o que dificulta a identificação do nexo entre o trabalho e o adoecimento.

O projeto está na fase de organização de dados e definição dos requisitos técnicos. A meta é criar uma plataforma centralizada que reúna informações hoje dispersas, permitindo maior integração entre profissionais de saúde e instituições.

Há também um impacto direto no campo jurídico. Doenças ocupacionais relacionadas ao amianto frequentemente resultam em incapacidade laboral, com reflexos em benefícios previdenciários e ações judiciais de reparação. A identificação precoce tende a fortalecer tanto a proteção social quanto a responsabilização de empregadores.

O financiamento do projeto foi viabilizado pelo Ministério Público do Trabalho em São Paulo, com apoio de grupo temático sobre amianto. A iniciativa se insere em uma política mais ampla de prevenção de danos à saúde e promoção de ambientes de trabalho seguros.

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