Pedido de informações à ANTT demonstra preocupação com estrutura avaliada como precária e abre debate sobre responsabilidade estatal na garantia de segurança viária
O Ministério Público Federal (MPF) em Santa Catarina requisitou, ainda em dezembro de 2025, informações urgentes à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) sobre as medidas de manutenção, recuperação e correção necessárias na ponte sobre o Rio Itajaí-Açu, no km 111+800 da Rodovia BR-101, no Litoral Catarinense.
A ação do MPF decorre de inspeções técnicas realizadas em 2024 e 2025 pela concessionária Autopista Litoral Sul, que atribuíram à ponte uma nota 2 em uma escala de 1 a 5, sinalizando a existência de problemas estruturais significativos que exigem atenção imediata e medidas corretivas eficazes. A avaliação baixa desperta preocupação não apenas pelo tráfego intenso de veículos que a rodovia concentra diariamente, mas também pela alta estação, quando o fluxo tende a aumentar consideravelmente.
Uma ponte de risco em um corredor essencial
A BR-101 é um dos principais eixos de circulação do Sul do Brasil, conectando cidades e estados ao longo de mais de mil quilômetros. Em Santa Catarina, a rodovia é vital para o transporte de cargas, turismo e mobilidade de residentes. A ponte sobre o Rio Itajaí-Açu, nesse contexto, não é apenas mais uma estrutura: é um ponto crítico de travessia, cuja segurança impacta diretamente a vida de milhares de usuários diariamente.
É justamente esse papel estratégico que torna a resposta do MPF tão incisiva. Ao requisitar informações, o órgão federal não só exige dados técnicos, mas insiste em medidas concretas que demonstrem a vontade de proteger vidas e preservar a integridade da infraestrutura pública. A sociedade olha para esse tipo de cobrança com interesse legítimo: não se trata apenas de números e relatórios, mas de segurança no trajeto diário, seja para quem viaja a trabalho, visita familiares ou transporta mercadorias.
Responsabilidades em xeque
O ofício do MPF não se restringe a pedir um inventário das medidas já adotadas ou previstas. Ele coloca em xeque a responsabilidade institucional da ANTT e das concessionárias em responder de forma eficaz a um problema que, segundo técnicos, já vem sendo sinalizado há dois anos. O pedido de esclarecimentos inclui detalhes sobre cronograma de obras, soluções definidas, recursos disponíveis e possíveis parcerias com órgãos estaduais ou federais para acelerar a intervenção.
Especialistas em infraestrutura geralmente apontam que a responsabilidade por uma ponte em mau estado não pode ser vista como uma questão pontual, mas como um sintoma de fragilidades na gestão de ativos públicos e concessões. Quando uma ponte é avaliada com nota baixa em inspeção, isso indica não apenas problemas localizados, mas também falhas no monitoramento contínuo, na prevenção e na alocação de recursos adequados.
