Curso aborda desde o funcionamento dos sistemas até a integração com o sistema processual eproc.
Mais de 20 desembargadores do Tribunal de Justiça de Santa Catarina participaram, em abril de 2026, do primeiro treinamento voltado especificamente para o uso de inteligência artificial por magistrados de segundo grau. A iniciativa é da Academia Judicial do TJSC e marca um passo que muitos tribunais brasileiros ainda estão tentando dar.
O curso tem carga horária de 4 horas e vai ensinar aos desembargadores o modo de funcionamento da inteligência artificial. No decorrer do processo, eles aprenderão sobre a construção de prompts e a importância da supervisão humana no uso da IA. Também conhecerão os modelos e soluções já existentes no Poder Judiciário e suas adaptações ao contexto do TJSC, assim como a integração com sistemas e automações, como o eproc, suas possibilidades e limites atuais.
A desembargadora Vera Lúcia Ferreira Copetti, diretora-executiva da Academia Judicial, contextualizou o momento da iniciativa.
“É necessário que tenhamos esse conhecimento para podermos identificar problemas e para aprendermos a lidar com esse novo instrumento que nos parece inevitável. Assim como chegou o processo digital e nós nos adaptamos, precisamos ter a mesma disposição e facilidade para trabalhar com a IA”, destacou.
O curso é ministrado pelo juiz Romano José Enzweiler, pioneiro na utilização da nova tecnologia dentro do Judiciário e coordenador de todas as atividades em inteligência artificial desenvolvidas pela Academia Judicial.
O treinamento dos desembargadores vem no rastro de uma estratégia mais ampla de modernização do TJSC. Em 2024 e 2025, o tribunal já havia treinado desembargadores, assessores e servidores da área de tecnologia. A entrada da IA no processo judicial catarinense inclui desde automações de tarefas repetitivas no eproc até a previsão de uso do Microsoft Copilot 365 nos gabinetes.
O movimento reflete uma tendência nacional. STJ, TRF da 4ª Região e outros tribunais já avançaram na implementação de ferramentas similares. No TJSC, a aposta é que a IA bem treinada, com supervisão humana adequada, reduza o tempo de tramitação dos processos sem comprometer a qualidade das decisões.
